Anos, ideias e divagações. Trens da vida. Borrões de rotina. Até que tudo o que havia no meio do meu caminho era um pouco de chão.
Escrevi "Estación Callao" porque tinha que ser escrito. Não foi a primeira e nem a última coisa que pus abaixo, mas talvez delas a mais simples, a mais palpável, a mais acessível. É uma história real, singela e muito, muito sincera. É o relato de mais uma rotina, mais um pedacinho recortado de algo que vivi. Comecei a escrevê-lo em Buenos Aires mesmo, no final do meu intercâmbio - como sempre, o livro já estava pronto, bastava que eu o ouvisse e o transcrevesse. Escrever não é difícil, difícil é viver aquilo que valha ser escrito.
Dois meses correram por debaixo dos meus olhos marejados de saudade. Porém, por pior que eu estivesse e mesmo sem aceitar boa parte da volta, eu me mantive a escrever para que as lembranças estivessem vivas. Vivi a mesma história duas vezes. E, quando a segunda vez acabou, eu sabia o que fazer.

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